É um nome exótico, tão diferente dos da nossa língua. Mas deixem-me que o torne mais familiar: A Fortaleza Branca. É isso que significa Bijela Tabija. E localiza-se em Sarajevo, numa posição estratégica, num dos altos que rodeia o centro histórico da cidade.

Ninguém sabe dizer ao certo quando foi construída a fortaleza. Há quem aponte a passagem de meados do século XVI, enquanto outros defendem uma data anterior.  A sua posição seria sempre um dos pontos essenciais para a defesa da cidade, uma vez que domina o acesso por Este, o mais importante desde tempos idos, aquele que depois ligaria Sarajevo ao resto do Império Otomano, através da ponte das Cabras que mais à frente atravessa o rio Miljacka.

Após a chegada dos austríacos, o forte foi reforçado, enquadrando-se na cidadela de Vratnik, um elemento central na estrutura defensiva da cidade.

Com as novas tecnologias militares o forte tornou-se obsoleto e iniciou um longo caminho de decadência que prossegue até aos dias de hoje. Já antes da guerra civil a negligência deste local histórico o tinha tornado numa simples ruína. O roubo dos blocos de pedra usados na sua construção tornaram as coisas ainda piores e o que vemos hoje é apenas uma série de paredes com um descampado no centro.

A vista de lá de cima
A vista de lá de cima

Uma observação mais atenta revela as aberturas originalmente existentes nas paredes, destinadas às bocas de artilharia e apesar de agora existir uma enorme brecha que permite a toda a gente entrar, ainda existe o portão de madeira que dava acesso ao interior da estrutura.

Dali avista-se a cidade lá em baixo, separada pelo rio, abraçada pelos montes pejados de casario. É um local extremamente agradável, que nos leva até a uma Sarajevo pouco conhecida pelos seus visitantes.

Especialmente aprazível num belo dia de sol,  a Bijela Tabija é muito apreciada pelos locais, que ali vão namorar um pouco ou passar momentos em família.

Para lá se chegar, partindo do centro histórico, a Baščaršija, é preciso trepar por muita viela, numa ascensão inclinada que puxa pelas pernas. Mas vale a pena. E não só pelo ponto final e as vistas que oferece. O passeio é também ele maravilhoso, através de uma Sarajevo feita de vida quotidiana onde, por não se passar nada de extraordinário, tudo se torna extraordinário.

 

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Conheci a Bósnia-Herzegovina e o Montenegro em 2011, apesar de já ter ouvido muito sobre o país através do meu vizinho e amigo Vedo. Desde então regressei várias vezes, apaixonado pelo tom misterioso de um país que será talvez o menos visitado da Europa. Acabei por ser convidado pela The Wanderlust para organizar expedições à Bósnia e Herzegovina e Montenegro, tornando-me, por assim dizer, um profissional de viagem à Bósnia e Herzegovina.

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